
Em tempos de várias aberrações musicais, percebo em uma delas uma análise pertinente do mundo. Pelo menos do qual me insiro. Cada um tem uma visão que seu mundo não é redondo, mas sim quadrado. Se formos analisar corretamente com a geometria espacial, o mundo redondo seria esférico, e logo o quadrado se torna um cubo.
Então é cada um no seu cubo!
Porém com uma pequena, mas significativa diferença. Ao contrário da normalmente vida na superfície, a existência se dá dentro dos cubos. Todos eles com piso, paredes e teto. “Mas por que cubos?”, podem me perguntar. “SIMPLES!”, eu responderei. Esferas quando amontoadas tendem a encostar numa região que pode ser de interesse de ambos os mundos, enquanto que no cubo, cada um ocupa religiosamente o que lhe é de direito. Nem mais nem menos. Há uma deposição clara e justaposta. Praticamente um Paraíso não?!
Se continuarmos essa análise espacial, e colocarmos num cilindro vazado, uma quantidade de "bolinhas de gude" representando as esferas, veremos que elas se acomodam perfeitamente, cobrindo grande parte do vazio que existia. Porém se você retira uma bolinha do dessa estrutura, há uma mudança na conformidade dos elementos. Isso pode ser dito de qualquer uma das esferas de vidro. A alteração é visível. Num movimento maior, como o de retirada do invólucro cilíndrico, há dispersão total dessas esferas, sem nenhum rumo ou linha de tendência. Cada uma procura seu rumo.
Agora vamos colocar vários "dados", daqueles de seis faces, dentro do mesmo cilindro. Mas por favor, não os jogue de qualquer maneira. Pode haver espaços entre eles, mas eles devem fazer camadas (sem aqueles que ficam na diagonal...). Se com sutileza, você retira um desses dados, seja de onde for, sendo este, um dado que tem apenas contatos frágeis com outros dados, e este não é muito significativo para a estrutura, não haverá mudança representativa. Esse dado pode ser retirado e esquecido pelos outros dados, pois não compõe fundamentalmente parte dessa estrutura. Haverá outros dados que sentirão falta desses contatos frágeis, mas nada significativo, pois continuarão de pé por existirem ligações mais fortes que os sustentam. E se no movimento maior de retirar o invólucro, percebemos a incrível árvore de sustentação que esses cubos formam, sem deformações, em pé, rígida, sem a necessidade daqueles retirados.
Mas na vida o movimento maior não se resume na retirada de invólucros. Esse é só o início. Temos tornados, maremotos, terremotos entre outros que passam por nós a cada dia. A árvore de cubos resiste bem mais que um dado sozinho. E com um pouco de esforço esse é levado embora, para onde não se sabe! Entretanto com esses constantes ataques, a árvore sente a instabilidade causada pela falta dos frágeis contatos, mas já é tarde, eles já estão longe. Então o inevitável acontece, a árvore acaba se rompendo. É interessante observar que os dados não caem muito distantes da base que os mantinham de pé. E por lá permanecem por muito tempo, pois a força que tirou o dado separado e o levou é imensamente menor que a força que tem de se aplicar para tirar os outros, mesmo que individualizados, pois sempre há algum para bloquear a passagem do outro devido à proximidade. E com isso tendem a se manterem embolados e quase sempre próximos de onde começaram, sem o impulso necessário que levou os dispensáveis.
Então fica a dúvida. O que é melhor? Ser parte de uma grande árvore ou ser uma das peças retiradas anteriormente? Ficar embolado no início ou com a possibilidade de avançar e encontraras esferas de gude?
Eu sei ao menos o que não quero. E você?
Bem vindo ao UM cubo, meu mundo sem quinas e arestas.
